Duas cidadãs trazem a “Heat The Street” às cidades portuguesas

Heat The Street - logo“[V]amos aquecer Lisboa e pendurar casacos para quem estiver na rua e com frio”. Foi este o desafio lançado no Facebook pelas amigas Sílvia Lopes e Lara Neves. Segue-se uma curta entrevista que lhes fizemos para tentar descobrir mais sobre esta iniciativa que teve lugar no dia 15 de dezembro, em Lisboa e noutras localidades portuguesas.

Sílvia, a ideia do “Heat the Street” (HTS) surgiu inspirada no Canadá. Como foi e quanto tempo demorou até a implementar em duas cidades portuguesas?
Sílvia: Uma amiga publicou uma fotografia no Facebook de uma iniciativa semelhante feita por crianças e mães no Canadá brincando que deveria fazer algo parecido. Ficámos inspiradas pela ideia e desafiei a Lara a fazermos algo semelhante em Portugal. Eu criei nome e copy para a página e evento; e eu e a Lara o logótipo, etiquetas e os restantes materiais gráficos do Heat The Street.

Criou uma página no Facebook para mobilizar as pessoas. Como foi esse processo? Já alguma vez tinha feito algo semelhante?
Lara: A ideia era ser algo mais pequeno entre amigos, colegas de trabalho e família. Mas tivemos muitas partilhas do evento e muitas outras pessoas se juntaram a nós. Tanto eu como a Sílvia já tínhamos participado em projetos de voluntariado, mas não algo assim do zero como fizemos com o HTS.

Heat The Street - banner

Banner do Facebook na página do 1º evento Heat The Street

O Facebook foi a única forma de divulgação do evento ou recorreram a outros canais?
Lara: Sim, apenas o Facebook.

Heat The Street - etiquetas

As etiquetas do Heat The Street

Têm alguma estratégia pensada para aumentar o número de cidadãos presentes na página de Facebook dedicada à iniciativa?
Sílvia: Por enquanto não temos nenhuma estratégia. O evento e a página tiveram muitas partilhas e com isso tivemos muitos likes. A divulgação que a comunicação social fez do nosso evento também ajudou. A ideia será chegar a muito mais pessoas e assim criar uma maior corrente de energia solidária.

Como correu o evento? Tem ideia de quantas pessoas ofereceram casacos e quantas terão beneficiado deles?
Sílvia: O evento correu muito bem. Muitos, muitos casacos e algumas camisolas, mantas, luvas e meias foram pendurados na baixa de Lisboa. Também foram colocados casacos em Vila Franca de Xira e Sintra. As próximas localidades serão Porto, Aveiro, Coimbra, Faro, Quarteira, Loulé, Olhão, Tavira e Almancil. Por isso chegaremos a muitas pessoas que precisam.

Tudo isto mudou a sua perceção de cidadania?
Lara: Ficámos impressionadas com a quantidade de pessoas que se inscrevem em sites de voluntariado e nunca foram chamadas, como já me aconteceu mim e à Sílvia, e que sentiram como nós que o Heat the Street seria uma oportunidade de ajudar alguém de forma simples e eficaz. Estamos realmente felizes com todas as pessoas que nos estão a contactar de várias cidades para saber como podem contribuir e ajudar a promover o evento.

Heat The Street - Foto de casaco

Casacos nas ruas de Lisboa durante o 1º evento Heat The Street Portugal (foto encontrada na página do Heat The Street no Facebook)

Houve algum feedback mais marcante?
Lara: Além de todo o apoio por mensagens que temos recebido, penso que o que mais marcou foi ver pessoas, que costumamos ver dormir naquelas zonas, com os casacos vestidos naquela noite e também no dia seguinte. Também passar por todas as zonas que foram colocados os casacos na noite anterior e ver que não sobrou nenhum na rua, todos foram retirados.

Há outras entidades formais envolvidas na iniciativa “Heat the Street” ou é tudo um movimento de duas amigas?
Sílvia: Neste momento a equipa são apenas duas pessoas, eu e a Lara Neves. Mas felizmente tivemos muitas pessoas de outras localidades que se juntaram a nós para promover e aquecer mais cidades do país nestes últimos dias.

Que futuro está reservado para o “Heat the Street”?
Sílvia: Em janeiro vamos reunir e formar oficialmente uma equipa maior de trabalho. Esta equipa terá como objetivo ajudar algumas instituições e realizar mais eventos de angariação de roupas, sapatos, comida, produtos de higiene íntima para que possamos aquecer e ajudar mais pessoas no país, e quem sabe no mundo.

Publicado por:

   Daniela Azevedo

3 Comentários

  1. ana taveira -  15 de Janeiro de 2016 - 15:11

    e quando chove? quem recolhe a roupa?

    Responder
    • Daniela Azevedo
      Daniela Azevedo -  16 de Janeiro de 2016 - 21:42

      Antes de mais, agradecemos o seu comentário ao projeto.

      Pelas indicações que recebemos das duas organizadoras do evento solidário, a Sílvia Lopes e a Laura Neves, tudo foi preparado para decorrer numa noite para a qual não estava prevista chuva. Nos dias seguintes, ambas percorreram as zonas onde foram solicitadas as doações para se certificarem de que nada tinha ficado “perdido”. Um dos indicadores que as levou a classificar o “Heat The Street” como bem sucedido foi, precisamente, todos os agasalhos terem sido recolhidos numa única noite.

      Responder

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