Grupo “Pela Qualidade Urbana no Parque das Nações” reúne mais de 1700 cidadãos no Facebook

Depois de, há dois anos, os 80 hectares do Parque Tejo terem deixado de estar sob a alçada da Parque Expo para passarem a ser da responsabilidade da Câmara Municipal de Lisboa, muitas têm sido as queixas sobre a perda da qualidade de vida dos habitantes que se deparam com a constante degradação dos espaços públicos envolventes. Bruno Figueiredo, residente nas proximidades do parque e responsável pela página de Facebook intitulada “Pela Qualidade Urbana no Parque das Nações”, recorreu a esta rede social para mobilizar civicamente os habitantes e outros indignados com a situação numa tentativa de forçar a resolução dos problemas.

Nesta entrevista, Bruno fala-nos do “Pela Qualidade Urbana no Parque das Nações”, o grupo que, à data, conta com 1725 membros, e como a sua experiência com ferramentas sociais está a encorajar a uma participação mais ativa de todos os que querem recuperar a beleza que outrora caracterizou o Parque Tejo.

Um das discussões no grupo Pela Qualidade Urbana no Parque das Nações

A participação ativa dos habitantes é um dos objetivos do grupo “Pela Qualidade Urbana no Parque das Nações”

Temos percebido pela sua atividade de Facebook, enquanto criador / administrador do grupo de Facebook que luta “Pela Qualidade Urbana no Parque das Nações”, a sua preocupação com a degradação do Parque das Nações e da freguesia, em geral. Porque se lembrou do Facebook para este fim?
Hoje em dia a maioria dos cidadãos tem um perfil no Facebook. Na altura existiam algumas páginas dirigidas a cidadãos do Parque das Nações, mas sendo páginas não permitiam a colaboração de terceiros, apenas comentários e a sua atualização era muito irregular. Criar um grupo não só resolvia esta questão como permitia a qualquer um partilhar fotos e documentos. Além disso também queríamos alguma visibilidade para forçar a resolução dos problemas. A opção pelo grupo mostrou-se uma escolha acertada.

Debate no Pela Qualidade Urbana no Parque das Nações

Uma das situações reportadas e debatidas no grupo Pela Qualidade Urbana no Parque das Nações

Que estratégia tem usado para aumentar o número de cidadãos ativos neste grupo?
Apenas encorajar a participação e reporte dos problemas e promover discussões regulares. Cerca de 100 novos membros se juntam ao grupo todos os meses. Um ano depois da sua criação somos mais de 1700.

Como é que as redes sociais estão a contribuir para o engrossar da lista de indignados? Está a tirar partido / monitorizar os dados que ali estão a ser partilhados?
Não estamos a monitorizar dados. Apenas encorajamos uma participação ativa. As redes sociais permitem uma exposição muito rápida dos problemas e no nosso caso levou à criação de um núcleo duro de cidadãos que se estão a reunir com as autoridades no sentido de resolver os problemas mais graves.

Além do Facebook está a usar alguma outra rede social para dar conta da vossa luta “Pela Qualidade Urbana no Parque das Nações”?
Existem apenas alguns blogues e sites paralelos mas o grosso da atividade está no grupo do Facebook.

Já tentou, junto do presidente da freguesia ou do presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), formalizar alguma queixa ou algum pedido de melhoramento?
Sim. A CML tem respondido positivamente nos últimos tempos mas o grupo teve de forçar a realização de uma Assembleia de Freguesia Extraordinária focada nos problemas do bairro para que isso acontecesse.

Acredita que as ferramentas sociais podem ajudar a resolver este tipo de problemas? Se sim, como podem contribuir?
Dando mais visibilidade e encorajando a participação ativa dos cidadãos.

Já alguma vez tirou partido de meios online para algum outro movimento de cidadania?
Não, é o meu primeiro esforço nesse sentido.

Publicado por:

   Daniela Azevedo

2 Comentários

  1. DanielaPress -  18 de Setembro de 2015 - 15:59

    Após a publicação da entrevista sobre a criação do grupo “Pela Qualidade Urbana no Parque das Nações” e os seus objetivos, vários foram os membros que o integram a manifestarem-se sobre a publicação.

    Além da partilha de informações e alertas de interesse para os moradores da zona, muitos dos participantes admitem que o grupo já conseguiu pressionar os responsáveis autárquicos para a tomada de medidas de melhoramento de alguns aspetos do Parque das Nações.

    A notícia inspirou a criação de uma lista que resume todas as ocorrências ali reportadas, entretanto resolvidas, e as iniciativas cívicas concretizadas a partir de posts também ali colocados. Pode vê-la aqui: https://docs.google.com/document/d/1b8_BAvzchBnIu9zvj-B-TkTJYSr050OjYsv-QuaUftM/edit?pli=1#heading=h.dymkufxi71qd

    A moderação atenta e interventiva foi referida como uma das mais-valias do grupo “Pela Qualidade Urbana no Parque das Nações” em detrimento de um maior número de subscritores.

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