Tecnologia no Governo: antevendo o próximo ano

Palácio dos Bandeirantes

Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo do Estado de São Paulo (foto de Apoxymenos)

Os problemas enfrentados pelos governos ficaram muito complexos para serem geridos só de dentro para fora. A hierarquia tem pouco a ensinar às redes sociais, mas tem muito a aprender com elas. Em 2016, creio que essa percepção ganhará força, não por iniciativa consciente e planejada dos governos, mas por avanço da cobrança cidadã.

Não há país que queira ter uma posição de destaque na era do conhecimento desprezando a inteligência coletiva.

O maior esforço da Unidade de Inovação vai no sentido de abrir a cabeça do setor público e incorporá-lo de forma proativa no novo ecossistema de inovação: sem mudar a cultura, toda a tecnologia fica pequena.

Alguns cenários para 2016:

Presença contextual
Deve ser o ano em que iniciará o emprego de inteligência artificial, sensorial e coletiva para a oferta de serviços pontuais do governo e interação com cidadão, que estejam dentro de um mesmo contexto de uso. Dessa forma, sensores como GPS, wifi gratuito, apps, beacons e outros podem ser projetados para estabelecer reconhecimento e conversa com o cidadão, detectando e reconhecendo sua presença.

Mashup de Governo
Aumentará o uso de ferramentas sociais pelo governo. Aplicativos como Google Maps, Waze e outros apps criados por empresas nascentes (startups) tendem a ser mais valorizados pelo governo, que deve passar a mesclar suas informações com aquelas de “multidões”, especialmente nas áreas de segurança e saúde.

Serviços Multicanal
Não somente os serviços poderem ser prestados em diversas plataformas eletrônicas ou presenciais, como o seu sequenciamento e trajeto serem compreendidos e acompanhados pelo cidadão. Assim, acompanhar serviços será uma experiência cada vez mais parecida com e-commerce e e-banking.

Cultura da colaboração e da co-criação
Os governos estão aprendendo a co-criar serviços públicos e a internalizar contribuições cidadãs. A tendência futura é que além do governo ajudar o cidadão a ajudar o governo, é ajudar o cidadão a ajudar outro cidadão. Para 2016 acredito que haverá melhor organização de técnicas e estratégias colaborativas, facilitando o aprendizado de governo, o que exigirá, antes de tudo, humildade por parte da gestão pública.

Cidadão Promoter
Estimular, aceitar e ajudar o cidadão a promover os serviços de governo e a mudança de hábitos contrários à sociedade. Por exemplo, o Metrô de SP teve neste ano duas campanhas feitas e veiculadas por cidadãos nas redes sociais para conscientizar quanto ao uso de fones de ouvido e para incentivar o respeito por grávidas e idosos nos trens. Nesta campanha puderam inclusive usar o logo do Metrô.

Mudança Mútua de Perspectiva
Imagem de Estado e de Cidadão devem sofrer, em ambos os lados, a ressignificação de papéis ou a origem de um novo relacionamento. Talvez isto seja algo mais perceptível no Brasil, visto que passamos por um processo de mudança, iniciado pela incompreensão, por parte do governo, do que as ruas disseram em 2013 e, agora, apresenta as contas. Um caminho é perceber a mútua mudança e construir essa nova forma de atuar, mas além da transparência e do controle social.

Governo Hiperlocal
A gestão pública deve focar em particularidades, características e vocações locais para empreender (ou rever) políticas públicas de pequenas amplitudes, mas de grandes impactos, em 2016 estará clara a decadência dos programas e políticas de amplo espectro, que deixam de considerar aspectos nano-regionais.

 

Nota editorial: Esta listagem comentada foi-nos enviado por Roberto Agune em resposta a um desafio que lhe lançámos em preparação de um texto que estamos a preparar. A resposta dele foi tão completa e elaborada que não pudemos deixar de a partilhar na íntegra.

Publicado por:

   Roberto Meizi Agune
Possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (1973). Trabalha há 38 anos no Governo do Estado de São Paulo. Atualmente é coordenador da Unidade de Inovação da Subsecretaria de Parcerias e Inovação da Secretaria de Governo do Estado de São Paulo.

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