Gripenet

A ideia de monitorizar a epidemia sazonal de gripe, utilizando a Internet e com base na participação voluntária dos cidadãos, nasceu na Holanda, em 2003. Rapidamente constituiu-se num caso de sucesso de comunicação de ciência e de promoção da saúde. O projecto holandês, entretanto alargado à Bélgica que fala flamengo, motivou investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) a encetar uma colaboração internacional que veio dar lugar, em 2005, ao Gripenet português.

Acompanhando a actividade esperada da gripe, o Gripenet recolhe dados de Novembro a Maio. É com base nesses dados, recolhidos em questionários on-line, que é feita a monitorização da epidemia sazonal. Contudo, o site www.gripenet.pt, que serve de suporte ao projecto, está activo durante todo o ano de forma a fornecer informação sobre a doença e as temáticas com ela envolvidas. O site do Gripenet é o maior repositório de conteúdos on-line em língua portuguesa sobre a gripe.

Gripenet - mapa de sintomas

Gripenet – mapa de sintomas

 

Todos podem participar na monitorização Gripenet. Basta residirem em território nacional e possuir endereço de correio electrónico. Depois de se registarem no site, os participantes recebem semanalmente uma newsletter com curiosidades e notícias sobre a gripe e são convidados a preencher, em alguns segundos, um pequeno questionário sobre os sintomas gripais (ou ausência deles) da semana anterior. A recolha de dados (que são anonimizados) tem por objectivo monitorizar, em tempo real, a evolução da epidemia. Todos os resultados (incidência total, por grupos etários, eficácia da vacinação, comportamentos, etc) são públicos: http://bit.ly/1fE2rz9

Desta forma, qualquer cidadão pode contribuir com informação pertinente para o desenvolvimento de modelos epidemiológicos sobre a gripe.

Devido às suas características, o sistema Gripenet possibilita uma detecção precoce de eventuais anomalias, e uma captação de pessoas que recuperam da gripe sem recorrer aos serviços de saúde, com uma assinalável economia de recursos. Características potencialmente úteis em caso de uma eventual pandemia.

Os dados são analisados por investigadores do IGC e a informação fica disponibilizada no site sob a forma de curvas de incidência, projecção geo-referenciada em mapas de diferentes escalas, bases de dados para fins de investigação, etc. Este trabalho é acompanhado pelo desenvolvimento de modelos matemáticos e plataformas computacionais com capacidade para simular a propagação da gripe em Portugal e avaliar cenários de intervenção.

O projeto Gripenet é financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e pelo mecenato científico. Como parceiro do projeto Epiwork , o Gripenet participa ativamente na construção de uma rede europeia de monitorização da gripe através da Internet, designada Influenzanet. Fazem actualmente parte desta rede uma dezena de países europeus.

Em 2009, o Gripenet foi distinguido pela Agência para a Modernização Administrativa (AMA) como exemplo de “boas práticas” de serviço ao cidadão. Foi ainda incluído na Rede Comum de Conhecimento.

Atividade do Projeto

O projeto procura voluntários para ajudar a vigiar a gripe em Portugal

2 Comentários

  1. Ana Neves -  14 de Novembro de 2013 - 16:04

    Este exemplo é interessante ainda que não tire partido das ferramentas sociais. Na verdade, pelo que percebo, os dados são recolhidos por email, ficando os dados disponíveis publicamente.

    Seria interessante explorar formas adicionais de recolher a informação, como é feito, por exemplo, no site http://www.sickweather.com/

    Já agora, enquanto procurava o SickWeather de que me lembrava sem me recordar do nome, encontrei um paper interessante sobre uma investigação já deste ano e que parece ter encontrado uma forma de conseguir extrair das redes sociais dados mais “fiáveis” para este tipo de análise: http://releases.jhu.edu/2013/01/24/using-twitter-to-track-the-flu/

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