Truco

Tendo por base o popular jogo de cartas fortemente enraizado na cultura brasileira, o truco, a equipa de jornalistas que integra a Agência Pública foi fazendo, durante a campanha eleitoral, uma recolha dos dados mais relevantes apresentados pelos candidatos à presidência do Brasil, tanto na primeira como na segunda ronda.

Os dados foram obtidos no decorrer dos programas exibidos diariamente no tempo de antena dos canais de televisão de acesso livre, num total de 33 emissões analisadas por 12 jornalistas que cumpriram diversos turnos na confirmação de informações que transportaram o debate eleitoral para o Truco!

Uma das imagens do Truco!

O design é uma aposta do projeto Truco!

Numa primeira fase, de acordo com aquilo que cada um defendia, a redação atribuía aos candidatos determinadas cartas de baralho. Desta forma a equipa simplificou o conteúdo político levando-o a todos os cidadãos, numa linguagem divertida e acessível, para que qualquer brasileiro também se sentisse incentivado a participar apontando o que merecia, ou não, ser investigado ou melhor explicado pelos candidatos. O resultado das análises foi sempre publicado no site da agência no dia seguinte à transmissão das campanhas.

As “cartas”, num tom humorístico e remetendo para o universo visual dos baralhos que conhecemos, classificavam os conteúdos como verdadeiros, se a informação variava de acordo com o contexto em que as frases eram proferidas, ou se o candidato estaria simplesmente a mentir. As cartas atribuídas eram a “Não é bem assim”, “Tá certo, mas peraí”, “Blefe”, “Zap!”.

Cartas no Truco!

Algumas das cartas jogadas em depois da análise das afirmações dos candidatos

Já mais próximo da data das eleições, que terminaram a 26 de outubro com a vitória de Dilma Rousseff, a equipa propôs-se “pedir o truco” às duas campanhas, pedindo que explicassem falas, dados ou promessas aparentemente insustentáveis. Nesta fase da iniciativa os jornalistas acrescentaram as cartas “Marcada”, quando o candidato repetiu o que fora dito na primeira fase, e “Que Medo”, atribuída de cada vez que uma ideia apresentada era, na opinião da redação, atentatória contra os Direitos Humanos e a democracia. Já a carta “Candidato em Crise”, foi exibida de cada vez que um candidato entrou em contradição com algo dito anteriormente. A intenção da Agência era levar o público a interessar-se e a manifestar a sua opinião.

O resultado das análises foi sempre publicado no site da agência no dia seguinte à transmissão das campanhas. Para contestar as informações veiculadas pelos candidatos, a Agência Pública socorreu-se de dados oficiais publicados pelos Ministérios e de investigações de especialistas nas áreas da saúde e educação, por exemplo. No decorrer da investigação, os jornalistas enfrentaram algumas dificuldades, nomeadamente, o fato de boa parte dos dados estatísticos referidos não ser de acesso livre ao público.

O projeto, que também teve o apoio de uma página no Facebook, foi da responsabilidade da Agência Pública, especializada em jornalismo de investigação, sem fins lucrativos, conhecida por publicar grandes reportagens ligadas aos direitos humanos e à cidadania. Natalia Viana foi quem liderou o projeto. Os custos inerentes à atividade dos 17 profissionais que integram a Agência, entre repórteres, diretores e membros do Conselho Consultivo, é suportado por três fundações que apostam no crescimento da democracia e por crowdfunding.

Ainda no âmbito das eleições presidenciais de 2014, a Agência Pública criou uma página que lista as promessas feitas pelos candidatos.

Rodada de Promessas

Rodada de Promessas

Apesar dos esforços e dos constantes apelos à participação que a Agência Pública fez, mais de 38 milhões de eleitores não foram votar nas eleições para a presidência do Brasil.

Atividade do Projeto

Sem actualizações de estado

1 Comentário

  1. Ana Neves -  11 de Novembro de 2014 - 23:25

    A ideia de listar e acompanhar as promessas realizadas já aqui havia sido deixada. Quem sabe uma possível sinergia / colaboração?

    Responder

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