Dados abertos: conceitos, exemplos e implicações em debate

RAWopendataNo passado dia 16 de outubro tive oportunidade de assistir ao evento RAW Open Data (Raising Awareness of Open Data) que se realizou em Coimbra no novo auditório do Instituto Pedro Nunes. Tratou-se de um evento que aproximou parceiros de dois projetos europeus complementares – CITEK e Transcreativa – e que se focou nas temáticas dos dados abertos e conhecimento como recursos chave na resposta aos atuais desafios económicos e sociais.

O evento consistiu em quase 8 horas de palestras e networking, seguidas de 24 horas de hackathon. Pude estar presente no primeiro dia e partilho aqui pontos que destaco das apresentações a que assisti.

O dia começou com uma intervenção de Paulo Rupino que procurou explicar o conceito de dados abertos e contextualizar a sua importância no momento em que nos encontramos, nomeadamente no sentido de:

  • melhorar produtos e serviços
  • aumentar o envolvimento e a participação cívicos
  • aumentar a responsabilidade (accountability)
  • aumentar a transparência
  • dotar as pessoas de capacidade para agir e pensar autonomamente
  • gerar oportunidades de negócio.

Paulo Rupino considera que nada como:

  1. começar com uma pequena amostra
  2. perceber quem a está usar
  3. fazer os ajustes necessários com base no feedback desses utilizadores
  4. comunicar para reduzir medos comuns.

Apesar de ser muitas vezes apresentada como uma questão de princípios e até como manobra de marketing da administração pública para os cidadãos, a verdade é que o acesso aos dados públicos é o foco de uma diretiva cuja nova versão vem introduzir um requisito legal. A nova versão da diretiva sobre a re-utilização de informação do setor público (Public Sector Information – PSI) foi aprovada em 2013 e os países europeus têm até Julho de 2015 para a transpor para as respetivas leis nacionais.

Já tive oportunidade de escrever algumas notas sobre a minha participação num evento focado nesse ponto específico. Assim, e da apresentação de Martín Alvarez-Espinar da ePSI Platform deixo apenas dois pontos:

Relacionada com esta temática, a apresentação de Cristiana Sappa versou sobre o tipo de licenças que podem ser usadas para os dados públicos abertos. Destacou o quão importante é para um departamento público saber o tipo de direitos tem sobre os seus dados: essa é a única forma de poder encorajar a sua re-utilização e exploração por parte de terceiros.

Seguiram-se as apresentações do projeto HOMER, o InfoLab (de que já aqui falei), o One.Stop.Transport, e ainda de alguns projetos que, em Portugal, contribuem para a disponibilizar dados abertos públicos – Dados.gov – e exemplificam como podem ser re-utilizados – Portal de Transparência Municipal e Mapa do Cidadão, projeto este que será lançado em breve.

Para concluir o programa de palestras, tive o prazer de assistir uma apresentação fantástica de Paolo Ciuccarelli, fundador do Density Design Lab do Politécnico de Milão, que nos falou sobre a visualização de dados (abertos). Não fosse ele das áreas de design e não estivesse ele a falar do design como forma de comunicação, poderíamos ficar surpreendidos com o impacto que os próprios slides – simples, quase nus – conseguiam ter.

Apresentou-se, a ele e à sua equipa, como “(communication) designers” e com isso deu início a uma divertida e energética apresentação sobre como os dados devem ser cultivados e usados para criar experiências e não “apenas” visualizações. Propôs então 6 táticas para criar essas experiências em torno dos dados:

  1. integração
  2. “hibridização” (um misto entre análise e narrativa)
  3. retórica, artes e emoção (como forma de conseguir a atenção das pessoas)
  4. experiências físicas
  5. ferramentas
  6. contaminação.

Entre os muitos exemplos que apresentou, deixo aqui alguns de que gostei particularmente ainda que por razões diversas:

Visualização do trânsito em Lisboa (imagem de Pedro Cruz)

Visualização do trânsito em Lisboa (imagem de Pedro Cruz)

No site do evento, estão disponíveis os slides de quase todas as apresentações.

Os três projetos que foram trabalhados durante o hackathonStudying in Coimbra, Nurbee e UC Ecosystem – parecem-me um pouco pobres tanto na sua originalidade como no seu nível de execução. Apesar disso, a importância de um hackathon não é tanto o que se faz durante mas os laços e a dinâmica que se criam para continuar a fazer depois. Veremos como progridem estes projetos e se serão capazes de desafiar a provocação que Paolo Ciuccarelli lançou ao dizer que os hackathons são momentos de delegação ocasional e “sensemaking” temporário.

A plataforma Cidadania 2.0 fica à disposição para dar visibilidade a estes (e outros) projetos e também para ajudar na busca de colaboradores, parceiros, “cobaias”, etc..

Publicado por:

   Ana Neves

Sócia e Diretora Geral da Knowman, empresa de consultoria nas áreas de gestão de conhecimento, comunidades de prática, ferramentas sociais e participação cívica digital. É uma das organizadoras do evento Cidadania 2.0 e a pessoa responsável pela plataforma Cidadania 2.0.

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